quarta-feira, 26 de maio de 2010

a viDA TRatadA PEla ótiCA FEMInina

CineclubeLGBT (Rio de Janeiro) traz em sua programação, ainda no mês de maio, curtas metragens com temas homossexuais dirigidos por cinco mulheres e após a sessão ainda rola uma grande festa com o DJ Great Guy.

Dentre os curtas selecionados vale ressaltar uma nova roupagem para o clássico Mary Poppins e o curta dirigido por Alice Nelson em comemoração ao 60° aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Right to Privacy - curta escocês que integra o projeto: Os Dez Novos Mandamentos.

Saiba mais: www.cineclubelgbt.wordpress.com

domingo, 2 de maio de 2010

GENTileza geRA gentILEZA

amOR PALavra quE LIBErta, já diZIA O PROfeta

Figura mítica do Rio, Profeta Gentileza continua vivo no imaginário popular
por Pedro Alexandre Sanches, colaborador iG Cultura 08/04/2010 15:28


São 56 escritos distribuídos pelas pilastras do viaduto do Caju, configurando um estranhíssimo ritual de boas-vindas para quem chega ao Rio de Janeiro pela rodovia Presidente Dutra, pela rodoviária Novo Rio ou pelo aeroporto do Galeão.


É certo que um profeta passou por ali, mas as pregações de cunho moral e repressivo se confundem e se misturam com uma curiosa linguagem cheia de símbolos, letras maiúsculas desenhadas em pautas verdes e amarelas, consoantes repetidas ("AMORRR", "VIVERRR", "JESSUSS") e mensagens iradas contra o capitalismo, ou melhor, o "CAPETALISMO".


GENTILEZA GERA GENTILEZA é a frase que inicia vários dos murais, terminados muitas vezes com o aviso DISSE GENTILEZA. A figura mítica do Profeta Gentileza surgiu, paradoxalmente, da tragédia do Gran Circus Norte-Americano.


Seis dias após o incêndio, José Datrino abandonou a família e o posto de dono de uma transportadora de cargas, como ele relataria mais tarde: De meio-dia a uma hora foi quando eu recebi o aviso astral de Deus de que no dia seguinte "três confirmações" eu tinha que deixar todos os meus afazeres materiais do mundo para cumprir o espiritual na Terra.


Os cabelos e a barba foram crescendo e se tornando grisalhos, uma túnica branca toda bordada de dizeres do profeta virou figurino constante, e ele passou a perambular entre os carros engarrafados no centro do Rio, de Niterói, São Gonçalo e Baixada Fluminense, depois por diversos estados do país (estão documentadas passagens de Gentileza por Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amazonas, Rondônia, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Paraná).


Um senso estético muito peculiar orientava tudo o que ele produzia com a cabeça, as mãos e o corpo. Os estandartes que carregava pela rua eram enfeitados de flores, bandeiras do Brasil e cataventos coloridos. Os sapatos eram pintados de verde e amarelo e ornados com símbolos e siglas.


As mensagens, inscritas em traço sempre minucioso, não raro tornavam-se manifestos: NÃO USEM PROBLEMAS NÃO USEM POBREZA USEM AMORRR GENTILEZA, GENTILEZA É O REMÉDIO DE TODOS OS MALES AMORRR E LIBERDADE, e assim por diante.


Os conflitos, tensões e contradições da sociedade carioca (e brasileira) ganhavam representação espelhada na figura louca de um profeta andarilho que era, mais que isso, um artista.


Gentileza morreu em 1996, e em 1997 a Companhia de Limpeza Urbana cobriu os escritos com tinta cinza, numa ação que visava limpar a cidade de pichações.


Uma campanha pela reabilitação e recuperação da obra percorreu o Rio daí em diante e gerou até uma canção de protesto de Marisa Monte, "Gentileza" (2000), de versos como: apagaram tudo/ pintaram tudo de cinza/ a palavra no muro/ ficou coberta de tinta.


Tidos afinal como bens culturais, os 56 murais de Gentileza foram tombados por decreto do prefeito Luiz Paulo Conde, em 2000.


Em 2009, o ator Paulo José interpretou o profeta numa participação especial na novela global Caminho das Índias. A obra do artista que brotou de um circo em chamas foi reunida e analisada no livro UNIVVVERRSSO GENTILEZA, de Leonardo Guelman (Mundo das Ideias, 2009).


conheça mais sobre o universo do profeta no site: http://www.riocomgentileza.com.br/

quinta-feira, 15 de abril de 2010

arTE CIBERnética - itAÚ CULtural


A partir de 17 de abril, o Itaú Cultural marca presença no metrô de São Paulo e apresenta seis obras de seu acervo de arte e tecnologia. Trabalhos de artistas como Edmond Couchot, Daniela Kutschat, Regina Silveira e Rejane Cantoni, entre outros, fazem parte da mostra.

A exposição Arte Cibernética - Acervo Itaú Cultural nasceu de uma parceria do instituto com a Companhia do Metropolitano de São Paulo. As obras convidam os usuários do metrô a interagir com a arte nas movimentadas estações do Brás, Itaquera, República, Tiradentes, Paraíso e Sé.

Exposição Arte Cibernética - Acervo Itaú Culturalsábado 17 de abril a domingo 23 de maio de 2010todos os dias das 9h às 21hnas estações Brás, Itaquera, Paraíso, República, Sé e Tiradentes do metrô.
Acesse http://www.itaucultural.org.br/ e saiba mais sobre as ações que o Itaú Cultural realiza no campo da arte tecnológica. Ou siga-nos no twitter e fique por dentro da nossa programação: twitter.com/itaucultural. Em breve, novidades sobre a próxima edição da bienal de arte e tecnologia Emoção Art.ficial, que começa em julho.
informações 11 2168 1777 atendimento@itaucultural.org.br


imagem: Descendo a Escada, de Regina Silveira Foto: Cia de foto

quinta-feira, 8 de abril de 2010

pintuRA PERFormática - uMA (nova) EXPERiência pARA idoSOS


TÍTULO
A expressão corporal como forma de reconhecimento do corpo e movimento em oficinas de artes visuais para idosos.

INTRODUÇÃO

O aumento da expectativa de vida no Brasil, ocasionado pela admissão de hábitos saudáveis e a contribuição dos avanços tecnológicos favoreceram a oportunidade de qualidade de vida, com isso, o crescimento da população idosa é assunto de grande relevância na contemporaneidade.
Neste cenário, surgem políticas públicas voltadas à esse público com o objetivo de favorecer o envelhecimento saudável e ativo.
São programas compostos por atendimentos sócios assistenciais que além do atendimento social, cultural e à saúde visam contribuir com a preservação e prevenção da autonomia e independência, favorecendo a qualidade de vida da pessoa idosa por meio de atividades e oficinas sócio educativas.

JUSTIFICATIVA

As artes visuais, assim como as demais linguagens artísticas, proporcionam às pessoas, momentos de conhecimento, re-conhecimento, identificação e criação. Além de propor a contextualização entre os períodos, as técnicas e os conceitos pessoais e coletivos que cada obra em específico carrega em sua essência.
Pensando na grandeza das artes visuais e nos paralelos traçados entre as realidades pessoais e a realidade artística, foi proposto um Workshop de Pintura Performática em homenagem ao mês do idoso, promovido no Núcleo de Convivência para Idosos Arte de Viver (Liberdade/ São Paulo), se estendendo ao evento do Dia do Idoso promovido pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.

OBJETIVOS

* Despertar no idoso o conhecimento e re-conhecimento do corpo e seu movimento.
* Propiciar o conhecimento básico sobre a História da Arte e os relevantes movimentos artísticos, assim como as pesquisas e vivências dos principais artistas.
* Propor a leitura do processo e das obras de Jackson Pollock.
* Estimular a emoçã o por meio dos ritmos musicais e dos movimentos, permitindo que estes sejam registrados nas obras artísticas.
* Permitir a vivência da criatividade no participante.
* Desenvolver o espírito de cooperação e o trabalho em grupo.

DESCRIÇÃO DO TRABALHO

O Workshop de Pintura Perfomática foi realizado em três momentos.
O primeiro momento foi o de reconhecimento do corpo e seu movimento através de um jogo de improvisação e expressão corporal.
Ao som da música de Chopin, os idosos andaram pelo espaço, orientados a sentir o movimento de seus pés, observando a sua postura e o movimento de seu corpo, parte a parte, observando a sua relação com o espaço. O grupo foi orientado de forma minuciosa a relacionar os movimentos cotidianos à movimentos que os levariam à uma sinestesia específica.
Trabalhando o movimento corporal nos diferentes planos e criando intenções diferenciadas, os idosos foram convidados a imaginar, ao som da música, como se através dos movimentos os corpos tingissem o espaço, com cores diferentes, inspiradas por cada intenção/ movimento.
Na segunda etapa, os idosos conheceram as obras de Jackson Pollock, assistiram um breve vídeo sobre a pintura performática e fizeram leituras das principais obras, assim como a leitura de seu processo artístico.
Ao som de Bolero de Ravel, os idosos puderam experimentar a vivência artística da pintura coletiva. Sobre uma tela com os recursos do movimento da expressão corporal, todos os participantes fizeram o registro de seu movimento.
Cada pincelada, cada “jogada” de tinta representava um determinado movimento, uma intenção e uma emoção influenciada por aquele momento, todos tiveram a oportunidade de vivenciar uma experiência com o mundo empírico.

AVALIAÇÃO

O painel pintado pelo grupo de idosos, além de muito interessante, mostra a quebra da figuração e a possibilidade de agregar novos conceitos à arte que fogem de uma narrativa, algo que remete à disponibilidade do idoso à novos conceitos, à cumplicidade e o comprometimento com o desafio.
O trabalho coletivo reforçou a autonomia individual e a autonomia do grupo, todos transitaram com sua pintura sobre a tela, com a preocupação não de apenas inserir sua marca, mas de agregá-la à marca do colega.
Aos olhos da gerontologia, algo muito importante para o fortalecimento dos vínculos sociais e da rede de suporte social para a pessoa idosa.
Após esta experiência, observando à tela, todos relataram as sensações eminentes de cada fase.
Coletivamente, o grupo concluiu que podemos estruturar as fases conforme a ordem: a primeira de reconhecimento e de sensibilidade na construção/ desenho do movimento e a beleza que ele oferece quando materializado por uma marca (a tinta).
A segunda fase, segundo o grupo, foi o momento de conhecer à técnica artística, o rompimento da pintura tradicional comprometida à técnicas da verossimilhança e a busca por uma arte pessoal, envolvida de sentimento e emoção.
A experimentação na última fase, foi algo muito interessante, assim como relatou a Sra. Aparecida – nunca imaginei brincar com a tinta, e o melhor, pintar de forma relaxada, ao som de uma boa música que envolveu meus movimentos em cada variação de ritmo, após esta vivência perdi o conceito de certo e errado na arte.
Foi um grande desafio propor algo diferente da realidade dos idosos, foi necessário buscar através da expressão corporal e jogos de improviso a cumplicidade entre os participantes, para que os conceitos da tradicional arte fosse desmistificado e se tornasse algo muito valioso para os participantes, o marco de uma vivência diferenciada, onde a racionalização não se faz presente.








* Diego Miguel, artista plástico, especializando em Arte Educação pelo Centro Universitário Maria Antônia/ USP, e pesquisador em gerontologia e arte educação para idosos. Atualmente coordena o Núcleo de Convivência para Idosos Jova Rural, serviço da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social - Prefeitura de São Paulo.